13 de outubro de 2009
sobre: Ensaio sobre a cegueira
Não somos nossa aparência, não somos nossas posses, não somos nossas carreiras, apesar dessas características dizerem, apenas dizerem, sobre o que somos. Possuímos uma essência que não é visível e nem percebida pelos sentidos. Originalmente somos todos cegos à essência do próximo e, muitas vezes, cegos até à nossa própria essência. É algo que não vemos com a clareza dos objetos físicos. Somente através da autodescoberta que podemos, ao menos aprimorar, a visão da nossa própria essência, o que realmente somos. Nosso lado que não tem nome, que não é descritível, palpável, que é único e eterno. Era disso que o personagem falava. Paralelamente ao fato de tornar-se cego físico, passa a haver uma valorização maior do que as pessoas são por dentro. E, constituindo um paradoxo a idéia de cegueira, as pessoas passam, na verdade, a ver melhor algo, a essência, que os olhos antes não viam.
2 de outubro de 2009
A Imagem
Há uma música que diz que no mundo, existem apenas dois tipos de pessoas: as que divertem e as que observam. A imagem perfeita faz pensar que existem pessoas que tem tudo. Beleza, prenda, talento, inteligência, dinheiro. Enquanto outros têm que esperar toda uma vida, e mesmo assim nunca chegam a esse nível. A suprema valorização do eu tem um lugar cada vez mais iluminado aos holofotes; a indústria cria cada vez mais instrumentos para tal prática.
A difusão cultural do século XXI tem uma força tão dissimulada e global que não seria generalização dizer que grande parte das pessoas não pensa acerca dos hábitos atuais, o que os motiva. Reflexão interior é uma moda em termos; praticar a compreensão não é uma prioridade quando você tem tantas festas pra ir, tantos recados para responder, tantas séries moderninhas para assistir, tantos best sellers para ler, tantas ligações a serem feitas, tantos planos para concretizar, tanta volta no shopping para ver o que é novo nas lojas.
Conspiratoriamente falando, assusta a quantidade de mecanismos ao nosso alcance que nos desviam da tarefa de pensar. Hoje em dia, é só atualizar. O twitter é um site onde você responde uma pergunta básica em 160 caracteres dizendo: “O que você está fazendo no momento?”. Nele você pode seguir alguém e ser seguido. Ele compõe um verdadeiro livro-registro de tudo que vivemos e fazemos ao longo de nossas vidas. Pelo menos a partir do momento que criamos nossa conta a passamos a atualizá-la com os acontecimentos cotidianos. No fim, você tem um verdadeiro livro de memórias escrito em pequenos parágrafos.
A popularização do serviço tem várias conseqüências, dentre elas: cada vez mais cedo as pessoas aderem ao twitter e fica cada vez mais fácil atualizar seu status no site. A difusão da internet em suas mais diversas formas (Wi-Fi, 3G...), o aumento de sua abrangência, os celulares avançados e os pequenos “classe do aparelho blackberry”, estão tornando a tarefa de atualizar perfis e páginas pessoais uma ação cada vez mais corriqueira e presente no cotidiano: navegadores, iPhones, BlackBerries estão cada vez mais acessíveis e com mais recursos. Escrever um post novo em seu blog pessoal, ver suas mensagens está cada vez mais fácil. E o difícil agora é, na verdade, tentar desligar-se por algum momento.
Com o advento da TV digital, cada vez mais conteúdo midiático se fará necessário. Entra aí o tipo de conteúdo feito pelo próprio usuário ou espectador, o utilizador comum. Vídeos de exposição demasiada, fotos de mau gosto (principalmente fotos de mau gosto) compõe um panorama nada animador sobre o que as pessoas pensam delas mesmas. Muito se faz para se alcançar uma “fama” e muito se perde. A falta de diversidade nos dito bons valores, que estão perdendo espaço para “o que chama atenção”, está levando ambos os lados para a padronização. O lado do bom gosto e o lado do mau gosto estão se padronizando e virando duas entidades homogêneas e distintas. Como se pecado cometido fosse sempre o mesmo. Ou se para uma boa ação existisse apenas um caminho.
O Hype não prega o caminho do meio, mas extremos.
A difusão cultural do século XXI tem uma força tão dissimulada e global que não seria generalização dizer que grande parte das pessoas não pensa acerca dos hábitos atuais, o que os motiva. Reflexão interior é uma moda em termos; praticar a compreensão não é uma prioridade quando você tem tantas festas pra ir, tantos recados para responder, tantas séries moderninhas para assistir, tantos best sellers para ler, tantas ligações a serem feitas, tantos planos para concretizar, tanta volta no shopping para ver o que é novo nas lojas.
Conspiratoriamente falando, assusta a quantidade de mecanismos ao nosso alcance que nos desviam da tarefa de pensar. Hoje em dia, é só atualizar. O twitter é um site onde você responde uma pergunta básica em 160 caracteres dizendo: “O que você está fazendo no momento?”. Nele você pode seguir alguém e ser seguido. Ele compõe um verdadeiro livro-registro de tudo que vivemos e fazemos ao longo de nossas vidas. Pelo menos a partir do momento que criamos nossa conta a passamos a atualizá-la com os acontecimentos cotidianos. No fim, você tem um verdadeiro livro de memórias escrito em pequenos parágrafos.
A popularização do serviço tem várias conseqüências, dentre elas: cada vez mais cedo as pessoas aderem ao twitter e fica cada vez mais fácil atualizar seu status no site. A difusão da internet em suas mais diversas formas (Wi-Fi, 3G...), o aumento de sua abrangência, os celulares avançados e os pequenos “classe do aparelho blackberry”, estão tornando a tarefa de atualizar perfis e páginas pessoais uma ação cada vez mais corriqueira e presente no cotidiano: navegadores, iPhones, BlackBerries estão cada vez mais acessíveis e com mais recursos. Escrever um post novo em seu blog pessoal, ver suas mensagens está cada vez mais fácil. E o difícil agora é, na verdade, tentar desligar-se por algum momento.
Com o advento da TV digital, cada vez mais conteúdo midiático se fará necessário. Entra aí o tipo de conteúdo feito pelo próprio usuário ou espectador, o utilizador comum. Vídeos de exposição demasiada, fotos de mau gosto (principalmente fotos de mau gosto) compõe um panorama nada animador sobre o que as pessoas pensam delas mesmas. Muito se faz para se alcançar uma “fama” e muito se perde. A falta de diversidade nos dito bons valores, que estão perdendo espaço para “o que chama atenção”, está levando ambos os lados para a padronização. O lado do bom gosto e o lado do mau gosto estão se padronizando e virando duas entidades homogêneas e distintas. Como se pecado cometido fosse sempre o mesmo. Ou se para uma boa ação existisse apenas um caminho.
O Hype não prega o caminho do meio, mas extremos.
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