Sempre me considerei alguém com uma ótima visão.
Até que chegou o dia quando notei que eu não conseguia enxergar logo as coisas simples (para você, não para mim), o que não fazia de mim um visionário.
Sempre ganhei ponto com as pessoas nas coisas mais sem mistérios: quesitos como “ser você mesmo”, “legitimidade”, transparência, “ser sempre sincero”, “dizer a verdade”, sempre me fizeram ter pontos disparados sobre a maioria das pessoas, facilitando com que eu fizesse amizade com quem considerasse essas características importantes, explicando por que os amigos verdadeiros que tenho me consideram tanto. Se você parar para pensar, vê o quanto os jovens não agem como o que realmente são ou tem vergonha de admitir certas características que eles não têm vergonha de admitir para eles mesmos. Talvez esse seja o porquê de eu me sentir diferente, numa existência marcada por amigos de profundos arroubos de admiração ora por momentos no qual me sinto inadequado.
Sempre vi muitas pessoas que tem muitas outras características boas, mas essas, especiais e tão importantes, que dizem sobre quem realmente somos, não são apresentadas. Essas pessoas não prezam tal conhecimento de si mesmo e acabam não prezando isso no outro, e é isso. Cria-se um circulo vicioso onde a virtude de "viver o que se é sem temer" é abandonada em progressão geométrica em favor da cultura de seguir a maioria. Algo que deveria ser a base da importância na personalidade acabou cedendo àquilo que a pessoa MOSTRA ser, não aquilo que ela realmente é.
Por que o medo da solidão nos leva a agir de maneira tão anti-pessoal, tão anti-o-que-realmente-somos?
É certo que apesar de tudo, ainda sejamos todos um só. Ou cada um constitui de fato um universo diferente?
Prefiro me ater à primeira hipótese, que traz como máxima a esperança de um dia todos nos religarmos novamente. Seria essa a esperança no renascimento do que significa a re-união do próximo que foi se afastando?
Sinto que novos tempos estão vindo. Ligar-se de novo só depende de nós. E uma das poucas certezas da vida é quando você realmente sente que isso está acontecendo.
12 de janeiro de 2009
Convicções para enxergar melhor I - O que realmente conta na hora de fazer amigos? (Prelúdio)
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